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Gabatá e o vale das decisões

Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do Senhor está perto, no vale da decisão.
Joel 3:14

Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá.
João 19:13

Hoje é sexta-feira, encerramento desta inspirada campanha. Busquei no Senhor uma revelação para trazer para vocês. Deus mostrou-me uma palavra: Decisão!

Numa determinada sexta-feira, encerramento da obra pré sacrificial de Cristo, também foi um dia repleto de decisões.

O Senhor Jesus decidiu tomar o amargo cálice, em obediência à obra que o Pai lhe confiou. O apóstolo Judas Iscariotes decidiu entregar Jesus, a um preço de 30 moedas de prata. O apóstolo Pedro decidiu sacar a espada e defender Cristo e pouco tempo depois decidiu-se por nega-lo. Todos os discípulos decidiram fugir ao verem Cristo preso e amarrado com cordas. 

De todas as decisões daquela sexta-feira, a que foi mais detalhada pelos quatro evangelistas foi a decisão de Pôncio Pilatos. Os detalhes desta narrativa tem muito a ensinar aos humildes servos do Senhor que estão prestes a tomar importantes decisões.

Para entendermos o contexto da importante decisão de Pilatos, precisamos conhecer um pouco de sua história. A história de uma pessoa, seus sucessos e fracassos, tem enorme peso em seus momentos de decisão.

Segundo o Dr John Davis, em sua obra Dicionário da Bíblia, o governo de Pilatos foi marcado por motins e revoltas populares, além de decisões bárbaras. Sendo o quinto governador romano da Judéia, foi o primeiro a levar sua esposa para a sede do governo romano Jerusalém. De seu governo são mencionados, pelo menos, três históricos motins:

  1. Já em sua chegada em Jerusalém, ele colocou escudos com insígnias no templo. Isso causou escândalo entre os judeus, que enviaram representantes na residência oficial dos procuradores pedindo a retirada das insígnias. Pilatos, depois de frustradas tentativas de intimidá-los, foi obrigado a atender aos seus pedidos.
  2. Noutro momento, Pilatos decidiu usar o dinheiro do templo para construção de um aqueduto em Jerusalém, fato inadmissível para os judeus. Na ocasião, os judeus cercaram o tribunal com grande tumulto e vozerio. Esse motim terminou de forma trágica. Previamente avisado, Pilatos infiltrou soldados a paisana e armados no meio da multidão. Ao sinal do governador, eles atacaram com violência os amotinadores, matando alguns. Outros morreram pisoteados na fuga da multidão. O dito aqueduto foi concluído, porém, a animosidade contra Pilatos cresceu.
  3. Houve outra tentativa de Pilatos colocar escudos em honra ao imperador no interior do templo de Jerusalém. Mesmo não tendo as insígnias, os judeus ficaram ofendidos. Os mais nobres de Jerusalém, foram até o imperador em Roma, que ordenou que Pilatos retirasse os escudos. Aumentando ainda mais o ressentimento entre o governador e o povo judeu. Pilatos ainda é descrito como um homem de disposição difícil, sem misericórdia e obstinado. Ele receava que os judeus procurassem o imperador para relatar sua corrupção, violência e castigos dirigidos ao povo judeu, não se utilizando de processos e julgamentos no tribunal. 

Seu caráter, revelado nesses vários episódios, também é observado no modo que tratou o caso do julgamento do Senhor Jesus. Pilatos não agiu segundo seu dever, e sim, segundo seu interesse. Isso é notório, pois, as perguntas "qual o meu dever?" e "qual o meu interesse" dividem um caráter justo do profano. Que o Santo Espírito nos mostre se agimos segundo nosso dever ou segundo nosso interesse.

As decisões de Pilatos durante o julgamento do Senhor Jesus possuem momentos cruciais, os quais, muito nos ensinam. Vejamos:

  • Primeiro momento
Os principais dos judeus acusam insistentemente o Senhor Jesus, que nada respondeu. Isso causou uma reação em Pilatos. Ele ficou maravilhado e quis interrogar pessoalmente o Senhor. 

Diante das ofensas e acusações, o silêncio ainda continua sendo a melhor resposta. Como Davi, que apenas se desviou das lanças que Saul arremessava, não devolvendo nenhuma delas.

  • Segundo momento
Eram três acusações contra o Senhor. Causador de motins, dizer ser rei dos judeus e se fazer Filho de Deus. Pilatos vai interrogar a segunda acusação. "Tu és rei dos judeus?". A resposta de Cristo mostra que ele sabe os que o conhece de si mesmo ou de apenas ouvir falar. Uma questão para  nossa meditação também. Assim, dizemos que ele é Cristo, porque os outros dizem ou porque o conhecemos e testificamos sua unção (Cristo = ungido). Dizemos que ele é o Senhor porque assim ouvimos e repetimos ou porque submetemos nossas vontades ao senhorio de Cristo. Dizemos que ele é nosso salvador porque assim aprendemos passivamente ou porque nos reconhecemos pecadores e vemos em Cristo nossa salvação? Que o Santo Espírito nos mostre essa importante diferença.

Pilatos rebateu afirmando que ele não era judeu e que foram os próprios compatriotas de Cristo que o entregaram. A resposta do Senhor mostra que seu verdadeiro povo não se restringe a uma nação física. Seu Reino não é deste mundo. Cristo afirma que somente os que são da verdade podem ouvir sua voz. Ao que Pilatos pergunta "o que é a verdade?" Parece que Pilatos ouvia a ministração de Jesus mas não ouvia a voz do Senhor. Interessante isso. Pilatos não ouvia porque não andava na verdade. Somente os que estão na verdade conseguem ouvir a voz do Senhor. Em meio a um louvor ou sermão, os que estão na verdade podem ouvir a voz de Cristo. Que o Espírito sempre nos conduza a andarmos na verdade de Cristo!

  • Primeira decisão
Pilatos julgou Cristo como inocente. E é nessa hora que toma a sua primeira decisão no julgamento do Senhor. Libertar o inocente ou se auto-promover? A estratégia de Pilatos mostra que ele queria libertar o inocente, porém tentou fazer isso usando de sua sabedoria e ineficaz poder de persuasão. Parece que ele queria mostrar aos principais dos judeus que conseguiria também convencer e manipular a massa que estava fora do tribunal. Movido de vaidade, ele apresenta Cristo inocente e Barrabás assassino diante da multidão. Tentar impor a sabedoria humana ante ao poderio de Cristo é um erro grotesco. Quando um ministro da palavra se envaidece através do Evangelho está cometendo o mesmo erro de Pilatos. A vaidade de Pilatos colocou Cristo e Barrabás diante da multidão. Pilatos teve sua culpa pela escolha do povo. Assim é quando o ministro apresenta Cristo ao povo, movido por vaidade. O povo acaba vendo apenas Barrabás. Que o Espírito verta do Sangue Carmesim purificando nossas intenções ante ao Cristo inocente!

A decisão do povo foi libertar o assassino e condenar o inocente à cruz. Essa opção ainda é apresentada para nossas tomadas de decisões. A vaidade humana ainda continua nos apresentando Cristo ou Barrabás. Ou decidimos por Cristo e seu Reino ou por Barrabás e o mundo. Ou um ou outro. Não tem como conciliar. Ou o Cristo santo ou Barrabás e o pecado. Ou o Cristo e sua glória ou Barrabás e o desânimo. Ou Cristo e sua morada celestial ou Barrabás e as concupiscências terrenas. O que decidimos hoje? Hebreus 6.6 mostra que nossa escolha pelo pecado leva Jesus mais uma vez ao vitupério da cruz. Que o Espírito nos convença em nossas decisões que possuem consequências eternas.

  • Segunda decisão

A esposa de Pilatos o aconselhou a não entrar nas questões daquele justo. Ela tinha tido um sonho com isso. Não faltou avisos para Pilatos tomar a decisão mais acertada. Diante da escolha da multidão pela libertação do assassino e condenação do inocente, Pilatos vai tomar sua segunda decisão naquela sexta-feira histórica. Ele mandou açoitar o inocente.

Repare que o pedido do povo foi que crucificasse o Senhor. Pilatos não queria fazer isso. Ele ainda vai tentar manipular o povo, mostrando que aquele inocente não era digno de morte. Se a acusação era de que ele se dizia rei dos judeus, Pilatos tentou desmontar essa acusação. Cristo foi apresentado ao povo com uma coroa de espinhos, vestido de uma capa cor de púrpura (vermelho escuro) e ainda todo ferido pelos açoites. Pilatos enfatizou dizendo "eis aqui o homem". Ou seja, um ensaguentado homem que não possuía nada da nobreza. Um insulto. Um mero escárnio.

  • Terceira e última decisão
Os judeus não ficaram satisfeitos. Movidos pela manipulação dos principais dos judeus, queriam mais que a flagelação e humilhação, queriam a condenação de morte na cruz. 

A terceira acusação é colocada em pauta: "porque ele se fez Filho de Deus". Pilatos, ouvindo isso, ficou atemorizado. A grande hora da decisão se aproximava.

O governador entra na audiência mais uma vez. Ele quer saber de onde Jesus veio. Cristo, porém, nada respondeu.

Era a primeira vez que Pilatos teve o silêncio de Cristo como resposta. Isso o incomodou. Sua declaração mostra o poder do livre-arbítrio. Poder de condenar ou de soltar. Esse é o poder da decisão que, como declarou Cristo, Pilatos não teria se não o fosse dado de cima.

Antes de sua decisão final, Pilatos precisava ouvir mais um assunto. Cristo ministra que os que o entregaram tinha ainda mais pecado. Pilatos tinha pecado e os judeus tinham ainda mais pecado. Antes de decisões sérias, precisamos ouvir isso. Ou temos pecado ou temos ainda mais pecados. É necessário a ciência disso para nossas tomadas de decisões.

Essa declaração calou Pilatos. Não teve mais perguntas. Não houve mais diálogos com o Senhor. A ciência do pecado, ou nos aproxima com humildade diante do Senhor Jesus ou nos escondemos em silêncio. Pilatos se afastou. Lavou as mãos e sujou sua alma.

  • Gabatá
Pilatos se dirigiu ao ponto mais alto do tribunal, chamado em hebraico de Gabatá, o lugar das decisões mais sérias. 

Os judeu aumentaram a pressão em Pilatos, dizendo que se o nazareno fosse solto, o governador não era amigo de Roma. Um recado muito bem dado. Ele tinha memórias desgastantes nesse sentido. Mais uma ida dos principais dos judeus em Roma e Pilatos perderia seu título de governador. Por isso, ele fez sua última tentativa "eis aí o vosso rei". Porque nisso consistia a principal das acusações. Como já tinha feito antes, Pilatos apresenta um rei ensanguentado, humilhado e com uma coroa de espinhos. Um homem sem parecer, nem formosura que não tinha nada de rei... Sentado em Gabatá, imponente, Pilatos esperava que o povo ainda desconsiderasse a pena de morte. 

Foi em vão. O coro do povo aumentou: "crucifica-o, pois não temos outro rei senão Cesar". Assim, Pilatos tomou sua decisão final e entregou o inocente à crucificação. O povo escolheu Barrabás. Pilatos escolheu seguir a pressão do povo. E Cristo decidiu aceitar todo aquele falso julgamento para ter sua morte expiatória pelos nossos pecados. Diante de tudo isso, qual decisão tomamos hoje?

  • Vale das decisões
O vale das decisões de Joel 3.14 está ligado escatologicamente com Zacarias 14.4. As multidões estarão no vale das decisões. Cristo colocará seus pés no Monte das Oliveiras, que se repartirá em duas bandas, ante ao peso da glória do Filho de Deus naquele grande dia. O que é monte se tornará em vale. A multidão tomará sua última decisão. Todo joelho se dobrará, toda língua confessará que aquele glorioso Jesus é o Senhor. Haverá choro de arrependimento, como chorou Judas. Homens se reconhecerão pecadores e desejarão santidade. Ateus se tornarão crentes. Todos motivados pelo que seus olhos os mostrarão naquele Dia. Lembremos, pois, que a bem aventurança é para os que não viram e creram. E a promessa é para os que andaram na verdade e ouvem a voz do Senhor, hoje. Sim, a voz mansa e delicada do Senhor Jesus chama hoje os que andam na verdade. Somente os que andam na verdade podem ouvir essa voz. 

Por isso, tome sua decisão hoje. Não importa quantas decisões erradas foram tomadas no passado. Hoje é dado a oportunidade da tomada de decisão mais acertada. Lembre-se que decisões erradas geram experiências e experiências geram decisões acertadas. Abandonemos a vaidade. Apresentemos Cristo sem vaidade, para que o povo não escolha Barrabás. Por outro lado, abandonemos a pressão das multidões. As multidões tomarão sua decisão talvez tarde demais. 

O profeta mais recomendado pelo nosso Senhor disse que é necessário que Ele cresça e eu diminua. Que possamos fazer o mesmo, decidindo por ouvir a voz do Senhor. Ouvir e dar ouvidos. Ouvir e obedecer. Escutemos hoje essa gloriosa voz e decidamos por dobrar os joelhos e confessarmos que Ele é o Senhor. Façamos isso hoje.


Que Deus te abençoe.

Bispo Erisvaldo Pinheiro Lima
Mensagem ministrada em 8 de Dezembro de 2017, no encerramento da Campanha de Restauração.
Comunidade Evangélica Arca da Aliança.


Fonte de pesquisa:

Jhon Davis. Dicionário da Bíblia. Editora Hagnos

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