sexta-feira, 23 de junho de 2017

Marta e Maria e as correrias da obra

Cristo em Casa de Marta e Maria. 1578, de Tintoretto.Dim. 170 X 145 cm. Óleo sobre tela. Pinacoteca , Munique
Lucas 10.38-42

Correria significa ato ou efeito de correr, corre-corre, grande pressa... e por aí vai. Os obreiros da Casa do Senhor sabem definir a correria bem melhor que o dicionário. Ensaios, apresentações, confecção de roupas, afinação de instrumentos, evento, agenda, congressos... um obreiro sabe o quanto essas coisas requer muita correria do humilde servo do Senhor.

No livro "Nas garras da Graça", o ilustríssimo Max Lucado nos conta de forma ímpar um assalto a banco que fez Robertson. Um ladrão de banco por demais apressado. E por isso, atrapalhado. A pressa é perigosa quando se quer fazer algo importante. Robertons fez um pedido de empréstimo num banco e voltou algumas horas depois para roubar ali. Entrou com um bilhete de assalto, uma arma e as chaves do carro que pegou emprestado de um amigo. Saiu correndo do banco com o saco de dinheiro, com a arma e com a chave do carro... isso mesmo, esquecera o bilhete. Correu de volta para pegar o bilhete que poderia incriminá-lo e quando chegou no carro percebeu que agora havia esquecido a chave no banco. Teve que fugir correndo mesmo. Sua correria o fez esquecer o bilhete e agora a chave... Sim, ele foi capturado. Seu próprio amigo ligou para a polícia, pois o ladrão atrapalhado disse que o carro tinha sido roubado... Sua correria desenfreada lhe rendeu o título de ladrão atrapalhado.

Convido a você, querido(a) leitor(a), a entrar numa casa onde também teve uma correria impressionante. É certo que foi por uma causa mais nobre que a do ladrão que contei acima. A correria nessa casa tinha o objetivo de servir ao Senhor Jesus. Antes de começarmos, repare que os quatro versículos dessa história de Marta podem ser divididos em três cenas, e cada uma com uma importante verdade. Veja:


  • 1ª Cena:



Marta recebe o Senhor Jesus em sua casa. Seu nome significa Senhora do lar, dona de casa, cuidadosa, prestativa. Pode muito ser também uma irmã-mãe, uma vez que a casa em questão pertencia a ela e nada é mencionado sobre seus pais.

Juntamente com sua irmã, Marta se assenta aos pés do Senhor e escuta a sua palavra. Note, querido irmão, que a expressão "Maria também sentou-se" indica que as duas estavam inicialmente sentadas. Marta primeiro e depois sua irmã se sentaram para ouvir as palavras do Senhor.

Marta ficou um certo tempo ali sentada, ouvindo. Depois ficou servindo e ouvindo. Até que se distraiu com os afazeres da importante obra de servir o Senhor e parou de ouvir. Ela queria fazer algo por ele. Algo natural, pois ela era a anfitriã. Mas, o texto mostra que era o Senhor que queria fazer algo por ela, ensiná-la. Nos muitos afazeres ela se distraiu e parou de ouvir. Triste coisa para o admirador de Cristo é querer agradá-lo sem ouvi-lo.

Aqui aprendemos uma primeira verdade: NEM TODOS QUE RECEBEM O SENHOR JESUS EM SEUS LARES, CONTINUAM ASSENTADOS AOS SEUS PÉS OUVINDO SUA PALAVRA!

Os muitos afazeres da obra tendem a distrair os humildes servos do Senhor. Nunca podemos esquecer de que Ele não precisa de nós, somos nós que precisamos dEle. A grande obra da redenção foi Ele quem fez. Precisamos ouvir sua palavra. Até podemos tentar fazer algo por Ele, mas antes e durante, devemos ficar atentos à sua voz. Quando diminuímos o volume e intensidade de sua palavra em nossos corações, ficamos distraídos com os muitos afazeres. Isso é perigoso. Que o Santo Espírito nos alerte quanto sobre isso. 


  • 2ª Cena



Marta agora está distraída em muitos serviços. Sua correria a leva a indagar o Mestre para que sua irmã a ajude. Mais que fazer esse aflito pedido, ela o questiona se ele não se importa em vê-la trabalhando tanto enquanto que sua irmã está ali, 'parada'. Sua distração lhe pregou uma peça. Ela se analisou como alguém que estava fazendo algo útil ao Mestre que estava ali em sua casa.

Nesta segunda cena, vemos nitidamente uma outra verdade que devemos considerar: NÃO QUEIRA QUE SEU IRMÃO SIRVA AO SENHOR DO MESMO JEITO QUE VOCÊ.

Lembre-se que a repreensão do Senhor não veio quando Marta se levantou para servir. Na verdade, a palavra diz que ela  se distraiu e assim o Senhor a repreendeu quando ela quis que sua irmã o servisse do mesmo jeito que ela. Irmãos que já estão distraídos é que pensam desse jeito. Esses distraídos querem se comparar com os outros, julgar os outros, estão servindo e preocupados com outros irmãos que estão, aparentemente, parados. Verdade é que deixaram de ouvir a palavra e se distraíram com os afazeres da obra.


  • 3ª Cena



Antes de responder a pergunta e sugestão de Marta, o Senhor Jesus a descreve. Aquela casa precisava dEle. Marta, a senhora daquela casa precisava dEle. Parece que ela não se deu conta disso. Tudo que ela queria fazer era servi-lo... tudo que Jesus queria era curá-la. Ela ainda não estava convencida de que precisava de algo. Agia como se fosse ela quem pudesse oferecer algo.

Talvez por isso, o Senhor Jesus tenha sido bem direto em descrevê-la: "Marta, Marta, estás ansiosa e fadigada com muitas coisas..."

Aprendemos algo notório aqui: JESUS DESCREVE EXATAMENTE COMO ESTAMOS.

Analisando a cena, podemos descrever Marta com vários adjetivos. Jesus, acertadamente, usa apenas dois. Ela estava ansiosa e fadigada. Isso é notório porque em nossos momentos de cansaço, podemos nos descrever com vários adjetivos... podemos ser a Marta agoniada, presunçosa, fraca, reclamona... e  por aí vai... Nesta cena, o nosso Mestre conhece bem aquela anfitriã. Ela estava apenas ansiosa e cansada. Não que isso seja pouco. Mas quem já esteve cansado pelos muitos afazeres da obra sabe que um turbilhão de adjetivos vem quando não conseguimos fazer o que pretendíamos fazer. É comum ouvir de alguém que organizou um evento "nunca mais eu faço outro evento", e no próximo, lá está o irmão organizando outro...

Repare nisso também... Jesus não disse que Marta era ansiosa e fadigada. Ele disse apenas que ela estava ansiosa e fadigada. Ela não era uma pessoa assim. Ela estava sendo uma pessoa assim. Isso é por demais notório, uma vez que as Martas que estão com várias tarefas na obra do Senhor, as vezes, se consideram como uma pessoa ansiosa... Marta não era, Marta estava!

Marta estava ansiosa e fadigada. A ansiedade pode ser fruto de uma preocupação. E se for moderada, não é algo tão ruim. Mas quando esse sentimento toma conta de uma pessoa deixando-a em estado fadigado... então, há que ser feito algo. Jesus quis fazer algo para tratar isso. E se o Senhor quis tratar a ansiedade que é acompanhada com a sensação de cansaço, nos sinaliza que essa soma pode nos fazer muito mal.

Muitos humildes servos do Senhor se empenham em fazer algo em prol da obra de Deus. Querem ser útil de alguma forma. Retribuir tamanha obra que seu Senhor fez por ele. Mas quando esse fazer muito passa a causar ansiedade acompanhada com cansaço aí já passou da hora de voltarmos a se assentar aos seus pés e ouvir o que Ele tem a nos dizer.

Pense nisso...

E o que pode ser usado para curar a ansiedade e fadiga de Marta?
A resposta do Senhor aponta para isso. Sua palavra é a cura para qualquer ansiedade e fadiga. Pedro sintetizou bem isso quando disse "para onde irei se só tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68). Vida eterna não combina com ansiedade, fadiga, pressa, cansaço ou situações e sentimentos semelhantes a esses. Aquele que tinha as palavras de vida eterna estava ali, na casa de Marta, tão perto. Este mesmo cuidadoso Senhor pode estar tão próximo em nossos momentos de ansiedade e cansaço!

Quando Ele diz "ela escolheu a melhor parte", está se referindo à sua própria palavra. Oh meu querido irmão e irmã... que o Santo Espírito nos ensine isso... esta é de fato a melhor parte. Tudo que se pode fazer na obra, seja em atividades e cronogramas, ensaios e apresentações... toda a correria da obra tem que ser dado pausas e mais pausas para nos assentarmos e ouvirmos a palavra deste atento Senhor. Ele continua entrando na intimidade de famílias e lares... precisamos não apenas nos assentarmos para ouvi-lo... precisamos continuarmos e permanecermos assentados ouvindo. Sua palavra nos trata e cura. Trata nossa visão apontadora, tirando-a de nosso irmão que faz ou não faz algo, e a direciona para a trave de nossos próprios olhos. Só Ele nos convence de que precisamos de tratamento. Sua palavra ainda nos descreve como ninguém. Exatamente da forma que estamos, sem mais (para não ser acusação), nem menos (para não ser permissivo). Descreve para curar!

Aceitaria uma sugestão deste irmão de obra? Pare tudo agora... dê uma pausa... pare e se abaixe até a altura dos pés do Senhor Jesus... e escute o que Ele está te dizendo. Escute sua palavra. E permaneça sempre assim, humildemente reclinado e ouvindo atentamente suas palavras de vida eterna.


Que possamos ouvir atentamente a palavra daquele que um dia entrou na casa de Marta e Maria, e continua querendo entrar em outras tantas casas onde se deseja ouvir sua voz!

Paz do Senhor!
Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Palavra ministrada em 23 de Junho de 2017 na Comunidade Evangélica Arca da Aliança.

segunda-feira, 13 de março de 2017

6 lições do vale de ossos secos

Vale de ossos secos

Ezequiel 37

1 Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos.
2 E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos.
3 E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor DEUS, tu o sabes.
4 Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.
5 Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
6 E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor.
7 Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.
8 E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito.
9 E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.
10 E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo.
11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados.
12 Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
13 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.
14 E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR

O capítulo 37 de Ezequiel talvez seja o mais conhecido de seu livro. Nesta visão, o Senhor leva o profeta com suas próprias mãos e o coloca no meio de um vale repleto de ossos secos. Mais adiante, o profeta é instruído que aqueles ossos são a casa de Israel. O povo de Deus estava cativo na Babilônia. Deus iria mostrar nesta impactante visão, o quanto o peso de sua aliança poderia restaurar uma nação inteira. Uma valiosa lição de seu amor e poder. Por isso, querido(a) leitor(a), te convido a meditar nas seis lições do vale de ossos secos.





  • A mão de Deus


Repare que o profeta estava nas mãos de Deus. E porque ele estava nas mãos do Senhor, o povo receberia a promessa de restauração. O povo seria beneficiado porque o profeta estava nas mãos do Senhor. Isso é muito importante e sugestivo para nós. Quando o ministro se dispõe a ficar inteiramente nas mãos do Senhor, o povo é beneficiado. Creio que se você ficar inteiramente nas mãos do Senhor, pessoas poderão ser beneficiadas.


  • O vale


Vales são geralmente cercados de montanhas, o que proporciona belas paisagens. Mas neste vale, a paisagem era de morte. Estando no meio do vale, o profeta viu que ali estava cheio de ossos.


Estando a passar em volta deles, impulsionado pelo Senhor, o profeta teve uma descrição mais nítida. Ele descreve o vale como um lugar com “mui numerosos’ ossos que estavam “sequíssimos”. A visão e compreensão aumentaram. No meio do vale, o profeta teve apenas uma visão parcial dali. Ao ser direcionado por Deus a passar em volta dele, a visão  ficou mais nítida. Antes de qualquer situação restauradora de Deus, o profeta precisou aumentar sua compreensão do vale… Há situações em que nossa vida não vai pra frente, e andamos em círculos que não terminam… são situações em que precisamos apurar nossa visão, aumentando nossa compreensão. São situações em que precisamos aprender mais.


  • A pergunta


Depois que teve a visão mais detalhada do vale, o profeta recebe uma pergunta intrigante do Senhor. PODE ESSES OSSOS TEREM VIDA? Repare que a pergunta não foi POSSO FAZER ESSES OSSOS TEREM VIDA?  Não há dúvida no profeta em que o seu Deus possa operar maravilhas. A dúvida, porém, é se o povo poderia receber (ou fazer por merecer) essas maravilhas do Senhor.


O profeta sabendo do poder restaurador do Senhor e, ao mesmo tempo, conhecendo a vida pecaminosa do povo, se coloca imparcial e na dependência da presciência de Deus: TU O SABES, ele respondeu


  • A profecia


Deus ordena que o profeta liberasse duas profecias. A primeira seria dirigida ao ossos secos. A segunda, ao espírito. Na primeira profecia, os ossos deveriam ouvir a palavra. Na segunda, o Espírito deveria soprar vida.


A palavra tem o efeito de juntar, pôr em ordem. O Espírito completa o efeito da palavra. dando vida e colocando de pé. Um complementa o outro. Primeiro, a palavra, e após ela, o Espírito. Devemos nos atentar para esta sequência. A situação decadente de Israel ganharia uma esperança de restauração por meio da palavra liberada por Deus. A palavra proveniente de Deus (Jo 1.1; Ap 19.13), iria juntar os ossos secos, pondo ordem na sequência da morte (1Co 15.55-56). E o Espírito, que viria em seguida, continuaria a obra da palavra (Jo 14.16), dando vida (Jo 6.63), levantando o povo de Deus, e por fim, formando um exército (Ap 19.14).


  • A situação


O Senhor relata exatamente a situação que seu povo vivia:
  1. nossos ossos secaram
  2. pereceu nossa esperança
  3. estamos cortados


Veja que essa situação é bem forte. “Ossos se secaram” mostram que a situação era tão deprimente quanto ver algo se secando aos poucos. Os ossos sustentam o corpo. As forças do povo foi se diminuindo aos poucos até se acabarem. E por isso, perderam a esperança de que aquela situação de cativeiro terminaria. A sensação deles era de que haviam sidos cortados, ou seja, era uma situação de dor. Mesmo tendo sido em decorrência de seus próprios pecados, fato que o Senhor não menciona neste trecho, é uma descrição bastante triste mesmo.


  • A restauração


Deus libera quatro valiosas promessas, veja:


  1. Abrirei vossos sepulcros
  2. Vos farei subir da vossa sepultura
  3. E vos trarei à terra de Israel
  4. E porei em vós o meu Espírito


Repare que as três primeiras promessas apontam literalmente para Israel cativo na Babilônia. Deus abriria aquele lugar, levantaria seu povo e os trariam de volta para sua terra (Et 1-10).  Mostrando o tamanho amor e peso da aliança que o Senhor Deus tinha com seu povo.

Mas, a quarta promessa alonga o alcance das três primeiras. O Espírito foi derramado em Atos 2 na igreja. Por isso, a quarta promessa coloca as anteriores também para a igreja. Estávamos presos em nossos próprios sepulcros, presos pelo pecado (At 8.23). Através do vivo e novo caminho (Hb 10.20), o Senhor Jesus nos tirou dessa sepultura e nos levará para um novo lugar preparado por ele mesmo (Jo 14.3). O selo pra isso é o seu Espírito (Ef 1.13). Que esse Espírito nos mostre esse lugar. Q ue Ele nos faça ansiar por esse lugar. Prossigamos para esse alvo. Que nada não venha nos parar.


Que a Palavra Viva nos junte e o Espírito Santo nos coloque de pé.

Bispo Erisvaldo Pinheiro Lima
Comunidade Evangélica Arca da Aliança
Mensagem ministrada em Março de 2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Estudo bíblico: o verdadeiro jejum

O verdadeiro jejum nos moldes bíblicos
Isaías 58

Isaías 58 - O verdadeiro jejum


A religiosidade vazia de Israel é exposta neste capítulo. O povo de Deus tinha assumido uma posição "santarrona" durante os cultos, acompanhado de votos de jejuns ostentosos, mas seguidos das mesmas antigas ações impiedosas e maldosas. Verdade é que nenhum ato religioso tem importância se não for acompanhado de uma vida piedosa, com observância da Palavra e uma sincera compaixão para com aqueles que estão passando por necessidades.

O profeta declara o pecado e transgressão de Israel, ao mesmo tempo em que eles procuravam Deus a cada dia e tinham prazer nos caminhos do Senhor. Uma religiosidade em atitudes de bondade para com o próximo. Certamente, uma prática que deve ser meditada pelos humildes servos do Senhor.

Deus passa seu “raio-x” e enumera 10 atos que constituíam (e continua sendo) erradamente o jejum de Israel. Veja:

  • Questionamentos - v.3
  • Afligir a alma para atrair a Deus - v.3-5
  • Contentar-se, ou seja, uma atitude de inércia espiritual - v.3
  • Requerer todo trabalho, acumulando em si a glória - v.3
  • Contendas e debates - v.4
  • Ferir com o próprio punho - v.4
  • Fazer ouvir a voz em público, situação que foi combatido pelo Senhor Jesus no Sermão do Monte - v.4
  • Inclinar cabeça como o junco, causando a impressão piedosa - v.4
  • Estender debaixo de nós saco e cinza
  • Ter uma feição triste, desfigurando o rosto para ser visto pelos homens. Situações também combatidas pelo Senhor Jesus no Sermão do Monte.

Assim, Deus declara exatamente como é o jejum que Ele aceita:

  • Soltando as ligaduras da impiedade - v.6
  • Desfazendo as ataduras do jugo - v.6
  • Deixando livre os quebrantados - v.6
  • Despedaçando todo jugo - v.6 (repare o quanto essas expressões são fortes, mostrando o quanto esses atos impiedosos devem ser combatidos)
  • Repartindo o pão com o faminto - v.7
  • Recolhendo em casa os pobres desterrados - v.7
  • Cobrindo o nu - v.7
  • Não se escondendo daqueles que são nossa carne - v.7
  • Tirando do nosso meio o jugo - v.9
  • Tirando o estender o dedo - v.9
  • Tirando o falar vaidade - v.9
  • Abrindo a alma ao faminto - v.10
  • E fartando a alma aflita - v.10

Em seguida, o Senhor lista as belíssimas consequências e promessas desse verdadeiro jejum:

  • A tua luz romperá como a alva - v.8
  • A tua cura apressadamente brotará - v.8
  • A tua justiça irá adiante a tua face - v.8
  • A glória do Senhor será a tua retaguarda - v.8
  • Clamarás e o Senhor te responderá - v.9
  • Gritarás e o Senhor dirá: Eis me aqui - v.9
  • Tua luz nascerá nas trevas - v.10
  • A tua escuridão será como o meio-dia - v.10
  • O Senhor te guiará continuamente - v.11
  • Fartará tua alma em lugares secos - v.11
  • Fortalecerás teus ossos - v.11
  • Será como um jardim fechado - v.11
  • Será como um manancial cujas águas nunca faltam - v.11
  • Os que de ti procederem edificarão os lugares antigamente assolados - v.12
  • Levantarás os fundamentos de geração em geração - v.12
  • Chamar-te-ão reparador de rotura - v.12
  • Chamar-te-ão restaurador de veredas para morar - v.12



Bases bíblicas para o jejum


 
Jejum e oração não devem ser usados como moeda de troca para nos fazermos merecedores da bênção do Senhor. Na verdade, imerecidos que somos (Rm 3.23), a prática do jejum e oração ajuda a nos alinharmos com a sua Palavra e a sua vontade soberana.

1- Exemplos de Jejum bíblico
  • Demônios eram expulsos (Mt 17.14-21)
  • Presbíteros eram consagrados (At 14.23)
  • Nínive foi salva do juízo divino (Jn 2-3)
  • Israel celebra um dia de jejum - Dia da expiação (Nm 29.7; At 27.9)
  • Paulo jejuou 3 dias (At 9.9)
  • A igreja de Antioquia jejuou (At 13.2)
  • O Senhor Jesus começou seu ministério com jejum (Mt 4.2)

2- Tipos de jejum
  • Normal: abstinência de alimento, mas não de água (Mt 4.2)
  • Absoluto: abstinência de alimentos e água (At 9.9; Êx 34.28)
  • Parcial: abstinência de certos alimentos (Dn 1.12)

3- Formas de jejum
  • Regular, geralmente coletivo (Lv 23.27; At 27.9; Zc 8.19)
  • Público (IICr 20.1-4; Jr 3.6-7)
  • Ocasional ou emergencial (Ed 10.3-5; Js 7.6)
  • Convocado (Ed 8.21-23; Et 4.16-17)
  • Pessoal (Dn 9.2-3)

4- Propósitos do jejum
  • Buscar direcionamento de Deus (Dt 5.31)
  • Receber a Palavra (Dt 9.9-11)
  • Interceder pela nação (Dt 9.18-20; 25-29; Dn 9.3)
  • Enfrentar satanás e suas tentações (Mc 9.29; Mt 4.1-2)
  • Para humilhar-se diante do Senhor (Sl 69.10; Ed 8.21)

5- Duração
  • Deus deve nos dar a direção
  • Uma noite (Dn 6.18)
  • Um dia (Ed 8.21-23)
  • Três dias (Et 4.3)
  • Vinte e um dias (Dn 10.2-3)
  • Quarenta dias, Moisés (Êx 24.18; 34.28; Dt 9.9-18); Elias (IRs 19.8); Jesus Cristo (Mt 4.2)

6- Quando devemos jejuar
  • Quando o Espírito Santo nos orienta (Lc 4.1-5)
  • Quando a igreja é chamada para isso (Jl 1.14-2.15)
  • Quando se prepara para o ministério (Mt 4.2)

7- Como jejuar?
  • Arrependimento e perdão (IJo 4.8)
  • Ore sem cessar (ITs 5.17)
  • Não faça propaganda (Mt 6.16-18)
  • Devemos nos humilhar (Sl 35.13)

Se você tem problema de saúde, a prática do jejum deve ser antecedida pela orientação médica. Jejum não é contra o nosso corpo, mas contra a nossa carne. Não é regime e nem penitência.
 
 
Que o Santo Espírito nos direcione ao verdadeiro e importante ato de jejuar


Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Estudos ministrados durante o mês de Fevereiro de 2017
Comunidade Evangélica Arca da Aliança 

Fontes de pesquisas:

Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de estudo Dake - Finis Jennings Dake
Comentário Bíblico Moody - Editado por Everett F. Harrison
Restaurando doutrinas da Igreja do primeiro século: manual para formar discípulos. Marcelo Miranda Guimarães. Ed. Ames


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Batalha Espiritual: Diferenças entre o Reino da Luz e o império das trevas

Diferenças entre o Reino da Luz e o império das trevas e suas influências no nosso dia-a-dia

Diferenças entre o Reino da Luz e o império das trevas e suas influências no nosso dia-a-dia

Há uma realidade espiritual invisível e ativa que atua em nosso meio (2Rs 6.15-17). Isso nos deixa em meio à uma luta espiritual, onde nossa perseverança em oração e o avanço no conhecimento da Palavra do Senhor podem realizar proezas (Dn 11.32). Uma das ações do inimigo é aprisionar pessoas, deixando-as em situações deploráveis (Lc 13.16). Por isso, o Senhor Jesus se manifestou para tirar pessoas das trevas e conduzi-las para sua luz (At 26.18, 1Jo 3.8). Isso diferencia o Reino de Luz e o Império das Trevas:

  • Reino de Luz:

Formado pelos anjos que não participaram da rebelião do Luzeiro. São os anjos fiéis que permaneceram subordinados ao Senhor. São mais elevados que o homem em dignidade (Sl 8.6). São chamados de santos pelo seu caráter (Jó 5.1), pois foram criados em santidade (Jd 6). Não se casam e nem se reproduzem (Mt 22.30, Mc 12.25). Não podem morrer (Lc 20.36). Possuem considerável poder (2Pe 2.11). São mensageiros de Deus à serviço da salvação e dos servos do Senhor (Hb 1.14, Ap 22.9).

São organizados em pelo menos três categorias:
QUERUBINS, guardiões ligados à santidade de Deus, com rosto de homem, rosto de leão, rosto de boi e rosto de águia (Gn 3.24, Ez 10.1-22, Ex 25.18-22, Ap 4.6-9);
SERAFINS (consumir com fogo), ligados à adoração de Deus (Is 6.1-7, Ex 1.5-14). 
ARCANJOS: guerreiro(s) que executa tarefa especial (Jd 9, Dn 10.13, Ap 12.7-8, 1Ts 4.16).

Na Bíblia, aparece apenas os nomes de Miguel e Gabriel. Os livros apócrifos acrescentam Rafael e Uriel.

  • Império das trevas  

Formado pelo anjo Luzeiro e pelos outros anjos caídos que participaram de sua rebelião. Seu privilégio inicial, seu pecado e a consequente punição:
Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o enfeitavam: sárdio, topázio e diamante, berilo, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda. Seus engastes e guarnições eram feitos de ouro; tudo foi preparado no dia em que você foi criado.
Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso eu o determinei. Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras fulgurantes.
Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se achou maldade em você.
Por meio do seu amplo comércio, você encheu-se de violência e pecou. Por isso eu o lancei em desgraça para longe do monte de Deus, e eu o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes.
Seu coração tornou-se orgulhoso por causa da sua beleza, e você corrompeu a sua sabedoria por causa do seu esplendor. Por isso eu o atirei à terra; fiz de você um espetáculo para os reis.

Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!
E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.
Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.

Nomes:
Satanás – significa acusador (Jó 1:6)
Destruidor – hebraico: Abadom, grego: Apoliom (Ap 9:11)
Belzebu – significa rei das moscas (Mt 12:24)
Belial – significa imprestável (2 Co 6:15)
Inimigo – ele nunca está do nosso lado (1 Pe 5:8)
Diabo - significa mau, difamador (Mt 4 e Lc 4)
Lúcifer - significa luzeiro, filho da alva (Is 14.12)

Seus títulos:
maligno (Jo 5.19)
tentador (1Ts 3.5)
príncipe deste mundo (Jo 12.31)
deus deste século (2Co 4.4)
príncipe das potestades do ar (Ef 2.2)
acusador (Ap 12.10).

Suas representações:
serpente (Ap 12.9)
dragão (Ap 12.3)
anjo de luz (2Co 11.14)

Tem personalidade homicida, mentirosa e adversária (Jo 8.44, 1Pe 5.8).

Possui limitações (1Jo 4.4, 5.18, Pv 18.21, Ef 5.19-21, Tg 4.7). Não consegue ler nossa mente (Sl 139). Não pode contra a igreja do Senhor (Ef 6.11, Lc 10.19, Mt 16.18).


  • Satanás

Significa “aquele que resiste, que se opõe, que ataca”. Sua ação é pouco mencionada no Velho testamento. E em alguns casos, sua ação era ordenada pelo próprio Deus. Veja estes versículos:

E sucedia que, quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele. 1Sm 16.23

Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel.

E ele mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor.
Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?
Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo.
Então respondeu, aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estas vestes sujas. E a Josué disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de vestes finas.

E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.

Repare que nos casos de Jó e Saul, a ação de satanás vinha das ordenanças de Deus. Já nos casos de Davi e Josué, satanás aparece em cena influenciando e se opondo contra os líderes de Israel.

Ainda assim, a mais que esses trechos acima, pouco é mencionado da ação de satanás no Velho Testamento.



  • Diabo

Significa “mau, difamador”.

No Velho Testamento não aparece a palavra diabo. O significado do seu nome parece um pouco mais forte que o significado de satanás. Nisto está a diferença entre satanás e diabo. Esse conceito de ‘mal’ somente é revelado no Novo Testamento. Jesus Cristo revelou claramente a verdadeira identidade de satanás, como fonte e origem do mal na terra. Cristo faz essa diferenciação na tentação (Mt 4 e Lc 4). Nestes trechos, Cristo deixa claro que o mal provinha do diabo e que deveria ser combatido pela Palavra. Lembre que aos discípulos, o Senhor Jesus ensinou a orar pedindo ‘livra-nos do mal’. Esse tipo de ensino e conceito ainda não havia no Velho Testamento. Inclusive quando Cristo enviou seus discípulos para a obra, Ele promete dar poder para que nenhum mal não cause dano algum (Lc10.19).

  • Equilíbrio bíblico
O segredo para o sucesso na batalha espiritual é encontrar o equilíbrio bíblico. A luta contra o pecado é dentro de si mesmo (Rm 6), e contra o diabo (Ef 6.10-18). Precisamos encontrar esse equilíbrio para não darmos ‘ibope’ ao diabo, e muito menos sermos negligentes com suas ações opositoras contra o povo de Deus.

Veja que em Lc 4, logo após a tentação no deserto, O Senhor Jesus operou dois milagres. Ele curou um endemoniado em Cafarnaum, que inclusive estava dentro da sinagoga, e curou a sogra de Pedro. Repare que o mal na vida do primeiro homem era oriunda da ação do diabo, mas a enfermidade da sogra de Pedro é chamada apenas de febre, sem nenhuma alusão à ação do diabo. Essa diferenciação é importante. Há enfermidades oriundas de ações malignas. E também há enfermidades oriundas de causas simples e naturais. Que o Espírito nos ensine a sermos equilibrados, não negligentes e não alarmistas.

Deus nos abençoe nessas batalhas diárias!

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Estudo ministrado na Escola de Profetas em Outubro de 2016
Comunidade Evangélica Arca da Aliança

Fonte de estudos:

Robson Rodovalho - Batalha Espiritual - Editora: Sara Brasil